{"id":49,"date":"2006-04-18T14:18:38","date_gmt":"2006-04-18T21:18:38","guid":{"rendered":"http:\/\/estounanet.com\/blog\/?p=49"},"modified":"2006-04-23T10:29:50","modified_gmt":"2006-04-23T17:29:50","slug":"yangshou-a-meca-dos-viajantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estounanet.com\/?p=49","title":{"rendered":"Sobre as ondas, sobre o lodo"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Ao ouvir o ciciar das cobras e o ranger dos dentes dos lagartos Gulinenses, mais conhecidos pela sua digest\u00e3o r\u00e1pida e eficiente de pequenos insectos Budistas, uma nova guia se vislumbrava por entre o nevoeiro opaco que ca\u00eda sobre a cidade de Guilin, pelas 9 da manh\u00e3. Este nevoeiro era tamb\u00e9m conhecido por \u201cNevoeiro das 9 da manh\u00e3\u201d. <\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Como j\u00e1 era de esperar, neste segundo dia choveu \u201ca potes\u201d, ou se preferirem, \u201ca chopsticks chineses\u201d. Prepar\u00e1mo-nos para navegar no famigerado \u201cDrag\u00e3o do Rio Li\u201d, a nossa poderosa lancha. O Rio Li \u00e9 conhecido pelos seus cativeiros de lodo e pelos gigantescos barcos tur\u00edsticos que transportam todos os dias bili\u00f5es de chineses at\u00e9 \u00e0 encosta da pequena localidade de Yang Shou. Assim partimos nesta cruzada pelo mar, entre algas e corais de lodo, no embalo das mar\u00e9s criadas por estes ve\u00edculos hidr\u00e1ulicos, que revelaram ser uma praga durante 4 horas de viagem. O nosso \u201cDrag\u00e3o\u201d contava com 4 lugares e meio, sendo Paivung o nosso contrapeso com precis\u00e3o sub-milim\u00e9trica. <\/font><\/font><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image83\" style=\"height: 267px\" height=\"267\" alt=\"Shanghai.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/Shanghai.jpg\" width=\"218\" \/><\/p>\n<p><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Torn\u00e1mo-nos grandes amigos, desse grande marinheiro: \u201co Hamster do Rio Li\u201d, que ao receber pequenas oferendas em forma de g\u00e9neros os guardava religiosamente na sua bolsa marsupial, tal como nos momentos Kodac: \u201cpara mais tarde mastigar\u201d. Passados 10 minutos de manobras a estibordo e a bombordo, o \u201cHamster\u201d decidiu verter \u00e1guas numa qualquer encosta do Rio Li. Nesse momento lembr\u00e1mo-nos de v\u00e1rios filmes de guerra americanos, onde os vietnamitas sa\u00edam por de tr\u00e1s das \u00e1rvores e rastejavam enfurecidamente pelo ch\u00e3o enlameado. \u00c9ramos os verdadeiros \u201cbravos do pelot\u00e3o\u201d. <\/font><\/font><\/p>\n<p><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" \/><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" \/><\/font><\/font><font size=\"3\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\"><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image77\" style=\"height: 259px\" height=\"259\" alt=\"IMG_0423.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0423.jpg\" width=\"331\" \/><\/div>\n<p><\/font><\/font>\u00a0<\/p>\n<p><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Durante toda a viagem repar\u00e1mos que os gigantescos barcos tur\u00edsticos eram multi-fun\u00e7\u00f5es (tal como as impressoras), pois a cozinha tanto servia para cozinhar como para tomar banho, ou efectuar tarefas mais simples como lavar os p\u00e9s. <\/font><\/font><\/p>\n<p><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" \/><\/font><font size=\"3\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" \/><\/font><\/font><\/font><\/font><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\"><font size=\"3\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\"><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image78\" style=\"width: 350px; height: 276px\" height=\"276\" alt=\"IMG_0424.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0424.jpg\" width=\"350\" \/><\/div>\n<p><\/font><\/font><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Depois de nos deliciarmos com variadas paisagens de cortar a respira\u00e7\u00e3o, aport\u00e1mos em Yang Shou. <\/font><\/font><\/p>\n<p><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\" \/><\/font><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\" \/><\/font><\/font><\/font><\/font><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\" size=\"3\"><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image79\" style=\"width: 300px; height: 360px\" height=\"360\" alt=\"IMG_0432.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0432.jpg\" width=\"300\" \/><\/div>\n<div style=\"text-align: center\" \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image75\" style=\"height: 254px\" height=\"254\" alt=\"IMG_0185.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0185.jpg\" width=\"338\" \/><\/div>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">A sa\u00edda do barco revelou-se atribulada. Embora n\u00e3o tiv\u00e9ssemos perdido nenhum homem no rio, a bolsa do pequeno gnomo siberiano que continha uma m\u00e1quina de filmar, caiu ao rio. Picos e Pauling numa manobra de salvamento e Paivung numa manobra de divertimento conseguiram recuperar t\u00e3o precioso item. <\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Com mais uma mala ensopada, seguimos para o local de almo\u00e7o, onde o lema era: \u201cComa-os enquanto est\u00e3o vivos!\u201d. Este restaurante foi o primeiro a introduzir o conceito de menus vivos. Enquanto que num comum restaurante os menus s\u00e3o apresentados de forma escrita, neste os menus moviam-se e emitiam sons, podendo o cliente escolher o que desejava apontando o dedo (mas n\u00e3o muito perto!). De 4 especialidades da casa que foram pedidas, apenas 2 eram comest\u00edveis, pelo menos por bocas ocidentais. Abandon\u00e1mos o restaurante com a barriga exactamente no mesmo estado com que entr\u00e1mos e com a carteira mais leve. \u00c9 de real\u00e7ar a facilidade com que se podia fazer \u201cslalom\u201d pelo ch\u00e3o do restaurante, uma vez que este se encontrava completamente escorregadio.<\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Posto isto, rum\u00e1mos a mais um destino desconhecido. A nossa guia, como tinha frequentado a mesma universidade da guia do dia anterior, tentou impingir-nos mais uma dezena de excurs\u00f5es, n\u00e3o obtendo qualquer resultado uma vez que j\u00e1 t\u00ednhamos tomado a vacina para este tipo de doen\u00e7a. Escolhemos prosseguir para as Caves do Buda Preto (Black Budha Cave), ao que a guia torceu o nariz, alegando que estas se encontravam cheias (porque ser\u00e1?). Tal n\u00e3o se revelou, e uma vez dentro das caves, que revelaram ser uma verdadeira rel\u00edquia desta China profunda, tent\u00e1mos fugir a mais uma dezena de excurs\u00f5es megafonenses. Ao sair das caves, Paivung ainda teve tempo para simular uma queda, que a acontecer faria lembrar uma cena do t\u00e3o conhecido filme \u201cO Exorcista\u201d. <\/font><\/font><\/p>\n<p><\/font><\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image76\" style=\"height: 310px\" height=\"310\" alt=\"IMG_0223.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0223.jpg\" width=\"389\" \/><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image81\" style=\"width: 388px; height: 294px\" height=\"294\" alt=\"IMG_0463.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0463.jpg\" width=\"388\" \/><\/div>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">A caminho do nosso t\u00e1xi privado, Picos vislumbrou um an\u00fancio no KFC que ilustrava \u201cPasteis de Bel\u00e9m\u201d. A pergunta que se punha era: \u201cPasteis de Bel\u00e9m em Yang Shou?\u201d. \u00c9 claro que n\u00e3o! Eram apenas uns bolinhos de caf\u00e9 que tinham a mesma forma, mas um sabor horr\u00edvel. Ainda bem que n\u00e3o compr\u00e1mos muitos. <\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Posteriormente, em conversa com Rodrigo, Paivung informou-se acerca dos pre\u00e7os da viagem de avi\u00e3o de volta para Shangai. Este descobriu que ficaria pela m\u00f3dica quantia de 600 diracs por pessoa. O p\u00e2nico generalizou-se at\u00e9 Paivung ter posto a hip\u00f3tese de que esta quantia possivelmente era respeitante a um bilhete de ida e volta. Ao apercebermo-nos deste facto, entr\u00e1mos numa contagem decrescente, tendo apenas 3 horas para: voltar para Guilin; comprar os bilhetes; fazer o check-out; ir para o aeroporto; fazer o check-in; e apanhar o avi\u00e3o. A acrescentar a este facto, o R\u00f3 em sincroniza\u00e7\u00e3o connosco, teria que comprar os bilhetes para Huangshan o mais rapidamente poss\u00edvel. S\u00f3 uma pessoa poderia fazer com que isto fosse poss\u00edvel: Frank! <\/font><\/font><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image84\" style=\"width: 380px; height: 300px\" height=\"300\" alt=\"frank.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/frank.jpg\" width=\"380\" \/><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Ao chegarmos ao quartel-general de Frank, este revelou conseguir tudo em troca de uma boa maquia de diracs. Segundo aqueles que sobreviveram \u00e1s negocia\u00e7\u00f5es com este chefe da m\u00e1fia tur\u00edstica, a primeira frase proferida no in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es era: \u201cI\u2019m gonna make you a proposition you can\u2019t refuse, or else you\u2019ll be sleeping with the fishes!\u201d. O poder de Frank era realmente abismal! Embora o avi\u00e3o estivesse lotado, ele conseguiu arranjar-nos 4 bilhetes, v\u00e1-se l\u00e1 saber como.<\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">Fomos ent\u00e3o fazer o check-out \u00e0 pens\u00e3o e o Paivung foi fazer outro tipo de check-out \u00e0 casa de banho, pois j\u00e1 se encontrava com alguns espasmos e com uma ligeira tonalidade p\u00farpura vis\u00edvel no rosto. Com a pressa toda ainda deixamos 200 diracs de gorjeta na pens\u00e3o, que por coincid\u00eancia correspondia ao dinheiro do dep\u00f3sito que tivemos que pagar quando fizemos o check-in. E como tudo acaba bem quando come\u00e7a mal, l\u00e1 chegamos ao aeroporto em tempo recorde dando ainda tempo para beber um cafezinho no aeroporto. Nesse caf\u00e9 introduzimos um novo tipo de arte \u00e0 base de rolos de papel higi\u00e9nico e rosas artificiais. Relaxados, apanh\u00e1mos o avi\u00e3o para Shangai, onde mais uma vez o pequeno gnomo manteve a pestana aberta durante todo o voo, n\u00e3o fosse o avi\u00e3o fazer das suas.<\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"left\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">A aterragem foi suave como\u00a0a queda de um corpo humano de 1000 metros sobre uma montanha de calhaus e logo de seguida apanh\u00e1mos o mini-bus para a casa do R\u00f3. Ao chegarmos a casa do R\u00f3, perto da 1:30 da manh\u00e3, esper\u00e1mos durante 30 minutos que este viesse \u00e0 porta ouvir a serenata: \u201cLinda donzela vem \u00e0 janela que a TABAS passa\u2026\u201d.<br \/>\n<\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"right\"><font size=\"3\"><font face=\"Times New Roman\">O pessoal todo<\/font><\/font><\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0<\/p>\n<div style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"image82\" style=\"height: 253px\" height=\"253\" alt=\"IMG_0465.jpg\" src=\"https:\/\/estounanet.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2006\/04\/IMG_0465.jpg\" width=\"352\" \/><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/font><\/font><\/font>\u00a0<\/p>\n<p><\/font><\/font><\/font><\/font><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao ouvir o ciciar das cobras e o ranger dos dentes dos lagartos Gulinenses, mais conhecidos pela sua digest\u00e3o r\u00e1pida e eficiente de pequenos insectos Budistas, uma nova guia se vislumbrava por entre o nevoeiro opaco que ca\u00eda sobre a cidade de Guilin, pelas 9 da manh\u00e3. Este nevoeiro era tamb\u00e9m conhecido por \u201cNevoeiro das 9 da manh\u00e3\u201d. Como j\u00e1 era de esperar, neste segundo dia choveu \u201ca potes\u201d, ou se preferirem, \u201ca chopsticks chineses\u201d. Prepar\u00e1mo-nos para navegar no famigerado \u201cDrag\u00e3o do Rio Li\u201d, a nossa poderosa lancha. O Rio Li \u00e9 conhecido pelos seus cativeiros de lodo e pelos gigantescos barcos tur\u00edsticos que transportam todos os dias bili\u00f5es de chineses at\u00e9 \u00e0 encosta da pequena localidade de Yang Shou. Assim partimos nesta cruzada pelo mar, entre algas e corais de lodo, no embalo das mar\u00e9s criadas por estes ve\u00edculos hidr\u00e1ulicos, que revelaram ser uma praga durante 4 horas de viagem. O nosso \u201cDrag\u00e3o\u201d contava com 4 lugares e meio, sendo Paivung o nosso contrapeso com precis\u00e3o sub-milim\u00e9trica. Torn\u00e1mo-nos grandes amigos, desse grande marinheiro: \u201co Hamster do Rio Li\u201d, que ao receber pequenas oferendas em forma de g\u00e9neros os guardava religiosamente na sua bolsa marsupial, tal como nos momentos Kodac: \u201cpara mais tarde mastigar\u201d. Passados 10 minutos de manobras a estibordo e a bombordo, o \u201cHamster\u201d decidiu verter \u00e1guas numa qualquer encosta do Rio Li. Nesse momento lembr\u00e1mo-nos de v\u00e1rios filmes de guerra americanos, onde os vietnamitas sa\u00edam por de tr\u00e1s das \u00e1rvores e rastejavam enfurecidamente pelo ch\u00e3o enlameado. \u00c9ramos os verdadeiros \u201cbravos do pelot\u00e3o\u201d. \u00a0 Durante toda a viagem repar\u00e1mos que os gigantescos barcos tur\u00edsticos eram multi-fun\u00e7\u00f5es (tal como as impressoras), pois a cozinha tanto servia para cozinhar como para tomar banho, ou efectuar tarefas mais simples como lavar os p\u00e9s. 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